sexta-feira, 10 de junho de 2016

Humor, só para divertir:



ÁLGEBRA FÁCIL
Os romanos nunca entenderam direito o motivo de tanto entusiasmo pelos papiros dos algebristas de cultura árabe. Para um romano, afinal, X sempre vale 10.

O CAMPO COMPLEXO
- Se PR é uma Piada Ruim, o que é IP + R?
- É uma piada ruim complexa.
Pausa. Silêncio. Mais silêncio.
- Por que você não está rindo?
- Porque a parte da piada é imaginária.

INFLUÊNCIA
- O que aconteceu com aquela planta no laboratório de matemática?
- Ela desenvolveu raízes quadradas.

kkkk...
Piadinhas de matemáticos são sempre muito divertidas...

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Interdisciplinariedade

Acreditando que o aprendizado se dá de maneira mais eficaz quando o aluno quer saber sobre o assunto, busquei em uma disciplina de Arte responder por meio da Matemática, uma dúvida levantada por um aluno, que ao fazer a releitura da obra Abaporu de Tarsila do Amaral, questionou sobre como é possível descobrir o número do calçado sem medir o tamanho do pé. a partir dessa aula foi possível a escrita deste artigo:




DESCOBRINDO O NÚMERO DO CALÇADO À LUZ DA MODELAGEM MATEMÁTICA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

Daiane Aparecida Pego Butcke
Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Campus Toledo
daiapegobutcke@gmail.com

Milena Evelin Rodrigues de Freitas Carvalho
Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Campus Toledo
milena.evelin@hotmail.com

Emerson Tortola
Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Campus Toledo
emersontortola@utfpr.edu.br

Resumo: Este texto relata uma experiência de ensino com modelagem matemática em uma turma de 4º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública do Oeste do Paraná. A problematização surgiu a partir da recriação da obra “Abaporu”, de Tarsila do Amaral, quando os alunos observaram que o tamanho do pé do personagem da obra era muito grande para o tamanho do corpo e questionaram quanto mediria esse pé e qual número de calçado usaria. Essas indagações levaram os alunos, sob mediação da professora, a investigar uma relação entre o tamanho de um pé e sua numeração padronizada. Algumas informações nos indicaram que essa relação surgiu a partir da medição do pé usando grãos, que descobrimos funcionar com os grãos de arroz. Observamos que a quantidade desses grãos enfileirados sobre o desenho do pé indicava o número do calçado de cada um. Dessa forma, o desenho do pé feito pelos alunos pode ser considerado o modelo matemático da situação e sua construção e discussão oportunizou o estudo de proporcionalidade.
Palavras-chave: Modelagem matemática; Anos iniciais; Problematização.

Introdução
A curiosidade pode ser encarada como a primeira fonte do saber. As descobertas ocorrem em sua maioria a partir do surgimento de problemas e indagações, seguidas de investigações e de aprovação ou refutação de hipóteses. Essa é uma das características da ciência, a investigação.
A matemática não difere das demais ciências neste ponto. Embora seja comum na escola o trabalho com soluções exatas, os modos como chegar a essas soluções é um ponto importante no ensino de matemática, e a partir do estudo desses modos, é possível também trabalhar com a matemática como meio de analisar situações-problemas da realidade, cujas soluções não são tão exatas assim. Despertar a curiosidade dos alunos, desde cedo, para as investigações sob essa perspectiva é uma estratégia que pode os auxiliar na compreensão dos fundamentos e conceitos matemáticos. Neste sentido, a modelagem matemática pode ser considerada uma alternativa interessante para ser utilizada em sala de aula, pois consiste na abordagem de diferentes temas da realidade, tomando a matemática como ferramenta para sua análise e interpretação.
A modelagem matemática, em geral, é vista na literatura como meio para a obtenção de modelos matemáticos para descrever, explicar ou predizer aspectos associados a uma determinada situação (ALMEIDA; SILVA; VERTUAN, 2012), porém, muitas vezes esses modelos são vistos apenas, como funções, o que limita a visão de modelagem a um ajuste de curvas.
Conforme Almeida, Silva e Vertuan (2012), diferentes tipos de representação podem ser utilizados para se produzir um modelo matemático. Neste contexto, relatamos uma atividade de modelagem desenvolvida com alunos de um 4º ano do Ensino Fundamental de uma escola municipal pública situada no Oeste do estado do Paraná, os quais utilizaram algumas representações diferentes das que frequentemente encontramos na literatura como modelos matemáticos para a situação que estudaram: a relação entre o tamanho de seu pé e o número de sapato correspondente.
A problemática do presente estudo surgiu a partir de uma curiosidade em uma aula da disciplina de Arte, na qual a professora – primeira autora deste texto e acadêmica do curso de licenciatura em matemática – ao propor a releitura da obra Abaporu da escritora Tarsila do Amaral, ouve uma indagação de um aluno a respeito do tamanho do pé da personagem da obra, e levanta o problema, que tornou-se a pergunta da pesquisa: como descobrir o número do calçado que usamos sem precisar prová-lo?
Desta forma, com a oportunidade em mãos, a professora usa o problema para promover o estudo de uma situação-problema de interesse dos alunos por meio da matemática, indicando a possibilidade de uso da matemática em um contexto diferente que aquele da sala de aula, com o qual estão acostumados.

Considerações sobre matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental
Em um mundo em que mudanças e inovações ocorrem a todo o tempo, o ensino da matemática tem sido desafiador, pois aulas com caráter expositivo, centradas no professor e que pouco exigem dos alunos não condizem com o contexto social em que eles se encontram, uma vez que essas aulas pouco oferecem aos alunos no que diz respeito a usar a matemática para lidar com situações de sua vida. Nesse sentido, como relata Lautenschlager e Alencar (2014), aulas pautadas no paradigma do exercício, em que o professor apresenta o conteúdo oralmente, partindo de definições e exemplos, seguindo com exercícios de fixação, não têm apresentado muita eficácia.
Consta nos Parâmetros Curriculares Nacionais: Matemática (1997, p.19) que:

Aprendizagem em Matemática está ligada à compreensão, isto é, à apreensão do significado; apreender o significado de um objeto ou acontecimento pressupõe vê-lo em suas relações com outros objetos e acontecimentos. Assim, o tratamento dos conteúdos em compartimentos estanques e numa rígida sucessão linear deve dar lugar a uma abordagem em que as conexões sejam favorecidas e destacadas. O significado da Matemática para o aluno resulta das conexões que ele estabelece entre ela e as demais disciplinas, entre ela e seu cotidiano e das conexões que ele estabelece entre os diferentes temas matemáticos.

Além disso, a matemática ainda é vista por muitos como uma matéria difícil, complicada e assim temida pelos alunos, explicam Almeida e Vertuan (2014), complementando, é importante inserir “atividades com características de problematização e investigação desde os primeiros anos escolares”.
Identificamos na modelagem matemática uma possibilidade para atrair o interesse dos alunos às aulas de matemática e de mostrar e vivenciar o quanto a matemática pode ser útil em diferentes situações da realidade. Lautenschlager e Alencar (2014) apontam que a modelagem matemática é de grande valor para as aulas, viabilizando a interação da matemática com a realidade.
Tortola e Almeida (2013) explicam que quando a modelagem matemática é utilizada nas dinâmicas das aulas, contribui para o desenvolvimento da aprendizagem em vários aspectos, possibilitando a autonomia do aluno para a resolução de problemas matemáticos típicos à sua realidade, contemplando sua capacidade e conhecimento, permitindo assim a construção do seu conhecimento na área.
Para quebrar as barreiras entre aluno e matemática, mencionadas por Lippmann (2009), a autora explica que é necessário respeitar as particularidades do pensamento infantil e trazer oportunidades de relações, experiências e construções de hipóteses, para que assim o aluno aprenda porque é preciso estudar matemática.
 Conforme Lorenzato (2008, p. 3) “ensinar é dar condições para que o aluno construa o seu próprio conhecimento. Vale salientar a concepção de que há ensino somente quando houver aprendizado”.
Visando o aprendizado dos alunos, a modelagem matemática é entendida como um processo de aprendizagem através de atividades contextualizadas, que possuem o objetivo de promover a elaboração de situação-problemas por meio de investigações, auxiliando na utilização e produção do conhecimento matemático dos alunos (ROSA; OREY, 2012).
A arte da modelagem é desenvolvida pela sociedade humana desde início da história e aplicada à matemática, sendo abordada como um elemento criado pela sociedade para representar situações que fazem produzir a ciência para a solução de problemas surgidos. Esse elemento destaca o raciocínio e o pensamento utilizado para o encontro desta solução (MENDES, 2009).
Sob essa perspectiva, observamos que o uso da modelagem matemática pode contribuir para a construção do conhecimento, possibilitando ao aluno meios para investigar situações-problema usando para isso os conceitos matemáticos.

Modelagem matemática
Com a modelagem podemos fazer investigações para interpretar diferentes situações. Desta forma, junto com os colegas e o professor, o aluno vai aprender e utilizar os conhecimentos matemáticos para a compreensão dos problemas e, trazer junto à sala de aula conhecimentos adquiridos pela sua cultura local encontrando respostas às questões relevantes (MEYER; CALDEIRA; MALHEIROS, 2011).
Segundo Mendes (2009) a modelagem matemática inicia com um amplo problema baseado em experiências, que busca por meio de procedimentos de análise encontrar conceitos e modelos matemáticos apropriados para encontrar a solução do problema analisado, instigando o aluno a seguir uma lógica viva e descoberta.
O dicionário da língua portuguesa define a palavra modelo como “representação de algo”. A construção de modelos permite a demonstração de conhecimento, com uma finalidade pedagógica e quando vinculada a algum conceito, “o modelo matemático é o que dá a forma à solução do problema, e a modelagem matemática é a atividade de busca por esta solução” (ALMEIDA; SILVA; VERTUAN, 2012).
É por meio da produção de um modelo matemático que o aluno pode compreender aspectos associados a uma determinada situação e identificar esses aspectos em outras situações, compreendendo com o auxílio da matemática a observar regularidades e a fazer reflexões sobre elas.

Como fazer modelagem durante as aulas de matemática
Conforme Almeida e Vertuan (2011), a modelagem matemática pode ser abordada por meio de uma situação-problema inicial, em que para a solução final deste problema será necessário um conjunto de conceitos e procedimentos objetivando a compreensão da situação-problema inicial até a sua solução. Os autores ainda afirmam que a relação de experiência vivida pelo aluno (situação-problema) e os conceitos matemáticos que o mesmo possui, servem de elementos de estudo e integração de conhecimentos matemáticos e não matemáticos, para o encontro da solução final, associando assim uma representação matemática, e um modelo matemático.
Para Almeida, Silva e Vertuan (2012), a modelagem matemática possui as seguintes fases: inteiração (primeiro contato do aluno com o problema); matematização (transição da linguagem natural para a linguagem matemática); resolução (construção do modelo matemático); interpretação de resultados (análise de uma resposta adequada para o problema) e validação (avaliação que valida o resultado).
Para trabalhar com a modelagem, o professor tem que ter além do conhecimento matemático, a criatividade e intuição para interpretar o problema, distinguindo o melhor conteúdo matemático que se adapta para a descrição e interação com outras áreas de conhecimento, tornando estes um fator fundamental para a educação científica através do desenvolvimento de competências e habilidades (ALMEIDA; VERTUAN, 2011).
A modelagem matemática, portanto, exige do aluno conhecimento e criatividade para a construção do modelo matemático para encontrar o resultado de determinado problema. Mas é preciso ainda que o professor esteja preparado para lidar com essa configuração de aula, em que ele exercerá o papel de orientador dos estudos e não mais o único responsável pela construção do conhecimento, além disso, ele deve estar aberto ao diálogo, para compreensão das atitudes dos alunos e das produções realizadas por eles.

Aspectos metodológicos e contexto da pesquisa
Para a análise do assunto abordado neste artigo utilizou-se a abordagem de pesquisa qualitativa que, segundo Godoy (1995), este tipo de pesquisa tem como fonte direta o ambiente natural para a coleta de dados, onde o pesquisador é o instrumento fundamental. A autora segue explicando que estudos de caráter qualitativo têm como ideia inicial a análise e o estudo do mundo empírico em seu ambiente natural, valorizando assim o contato prolongado e direto do pesquisador com o ambiente e a situação-problema analisada.
Godoy (1995, p. 63) esclarece:

Os pesquisadores qualitativos estão preocupados com o processo e não simplesmente com os resultados ou produto. O interesse desses investigadores está em verificar como determinado fenômeno se manifesta nas atividades, procedimentos e interações diárias. Não é possível compreender o comportamento humano sem a compreensão do quadro referencial (estrutura) dentro do qual os indivíduos interpretem seus pensamentos, sentimentos e ações.

A pesquisa foi realizada com uma turma de alunos do 4º ano do ensino fundamental de uma escola municipal situada na região oeste do Paraná. A turma é composta por 19 alunos com idades entre 8 e 9 anos.  A temática da atividade desenvolvida por esses alunos surgiu da curiosidade destes, ao realizar uma atividade na disciplina de Arte. Os dados da pesquisa foram coletadas em um diário de campo do professor e registradas com fotografias e com os registros escritos dos próprios alunos.
A turma estava organizada na sala da disciplina de Arte da escola, onde havia apenas duas grandes mesas possibilitando o trabalho em grupo.
Para identificar os 19 alunos que participaram da atividade de modelagem matemática, estes foram numerados de 1 a 19. As análises se baseiam nos registros escritos dos alunos e no diário de campo usado pela professora para anotações. As falas dos alunos são apresentadas em forma de diálogos, nas figuras os escritos foram destacados e editados para suprimir erros, as barras (/) são utilizadas para separarem os textos apresentados nas figuras.

Atividade: como descobrir o número do calçado
A proposta surgiu em uma aula da disciplina de Arte, na qual ao fazer a interpretação da obra Abaporu, da pintora Tarcila do Amaral, conforme a Figura 1, os alunos fizeram a releitura da obra, mantendo o personagem e acrescentando acessórios ao mesmo (Figura 2). Isso acabou despertando a curiosidade de um aluno, que questionou qual número de calçado serviria para aquele pé. Neste momento, acontece o primeiro contato dos alunos com o problema, que Almeida, Silva e Vertuan (2012) chamam de inteiração, conforme mostra o diálogo abaixo:

Figura 1 – Abaporu de Tarsila do Amaral
Figura 2 – Releitura da obra Abaporu (Aluno 3)
Fonte: Livro Encontro com Tarsila
Fonte: Dados da pesquisa (2014)

Aluno 1: Nossa! Olha o tamanho desse pé! É maior que o corpo. Aluno 2: Imagina o tamanho de calçado que seria necessário para esse pé!

A professora aproveita a curiosidade dos alunos e questiona:

Professora: Mas como nós sabemos o número do nosso calçado na hora de comprar?
Aluna 3: Todos nós sabemos o tamanho de nossos calçados, né professora? É só experimentar!
Professora: Mas esta é a única maneira para saber o tamanho? E se quiséssemos saber o tamanho adequado de calçado para nosso pé sem ter que experimentar como faríamos?

Na tentativa de dar uma explicação à professora, os alunos acabam ficando com mais dúvidas, e se mostram curiosos por esta descoberta. A professora sugeriu então, que cada aluno desenhasse o seu próprio pé em uma folha de papel sulfite (como mostra figura 3) e, em seguida com o auxílio de uma régua o medisse, para saber o tamanho de cada pé em centímetros.

Figura 3 – Construção do modelo matemático
Figura 4 – Construção do modelo matemático
Descrição: E:\Pictures\Nova pasta\DSC04060.JPG
Descrição: E:\Pictures\Nova pasta\DSC04075.JPG
        Fonte: Dados da pesquisa (2014)
      Fonte: Dados da pesquisa (2014)


Aluno 1: Professora, meu pé mede 24,3 centímetros, mas eu calço o número 37, o que tem isso a ver?
Professora: mas se não existe nenhuma relação entre o número do nosso calçado com o tamanho do pé em centímetros como vamos medir?
Professora: Na história dessa numeração diz-se que para descobrir, o número do calçado os europeus utilizavam grãos de cevada, será que dá certo? Será possível fazer isso com algum outro material?
Aluno 4: Mas como é essa semente profe?

Observamos que neste trecho, a professora fornece a informação da utilização do grão de cevada para determinar o número do calçado. Como na cidade não havia esse grão, a professora mostra apenas uma imagem do grão explicando seu tamanho e sua utilização. Então, a primeira hipótese é levantada por um aluno:

Aluna 3: Mas se nós tentássemos com grão de feijão? Acho que vai dar certo!

A primeira hipótese é levantada: “medir o pé com grãos de feijão” e a investigação começa a ser feita com sementes de feijão. Mas devido o tamanho dos grãos o resultado não foi satisfatório, já que cada grão media em torno de um centímetro e, dessa forma não correspondia ao número do calçado, mas sim o tamanho do pé em centímetros. Ao buscar na história, esse é o tamanho do ponto utilizado no Japão para o número de calçado.
Em seguida, é levantada a segunda hipótese: “medir com grãos de arroz”.

[...]
Professora: Estamos chegando perto, já conseguimos encontrar a numeração utilizada no Japão, fazendo uso de feijões.
[...]
Aluno 5: Professora, acho que podemos usar o arroz né? Olha só o grão de arroz é menor que o grão de feijão.
[...]
Aluno 3: Nossa...que legal! Deu certo! Eu uso o número 34, e coube certinho 34 grãos de arroz no desenho do meu pé.

O primeiro aluno a terminar a atividade consegue chegar ao resultado desejado. Em seguida, outros alunos também puderam verificar o que a colega havia dito, por meio da matematização.
Segundo Tortola (2014), as representações produzidas pelos alunos são os modelos matemáticos que apresentam características peculiares, pois além do desenho as crianças utilizam um texto para explicar o que entenderam. Os resultados podem ser visualizados na Figura 5.



Figura 5 – Modelos matemáticos produzidos pelos alunos
Descrição: C:\Users\Daiane\Desktop\livros para modelagem\desenhos\1.jpg
FIGURA 4
24,3 / 37 grãos / Então, meu número é 37. Eu entendi que você desenha o pé na folha faz a reta e daí coloca os grãos retinho e dai vai dar o número do calçado que você usa.
Grãos de feijão / 37 grãos / Grãos de arroz
FIGURA 3
FIGURA 2
Eu achei que foi muito legal, e que o feijão não da o mesmo que nem o arroz e nem da o mesmo centímetro. / 23 centimetros / Com o feijão não deu certo, por que o feijão é muito grande. O grão de arroz mede mais ou menos 0,7 centímetros e o grão de feijão mede mais ou menos 1,0 centimetros.
Eu entendi que dá de medir o pé com grão de arroz, porque se colocar os grãos de arroz um na frente do outro, vai caber trinta e quatro grãos dentro do desenho do meu pé que é o número do meu pé. Eu achei muito legal e tem que pensar muito por que tem que medir o pé e os grãos de arroz. / arroz igual a mais ou menos 0,7. Feijão igual a mais ou menos 1,0 centimetro. / O grão de feijão não deu certo porque o feijão é mais grande do que o arroz.
Fonte: Dados da pesquisa (2014)


 [...]
Aluno 7: Sempre vai dar certo profe?
Professora: Os grãos são todos do mesmo tamanho?
Aluno 7: Não sei.
Professora: Então vamos medir!
Aluno 3: Tem alguns que são um pouquinho mais pequenos.
Professora: É por isso que a medida do nosso calçado foi padronizada. O tamanho de cada ponto do número do calçado é de 2/3 de um centímetro, que corresponde a 0,666.
Professora: Agora vamos pensar um pouquinho: o que acontece se dividirmos o tamanho do nosso pé em centimetros por 0,666 que é o tamanho do ponto que utilizamos?
Aluno 1: Dá o número do nosso calçado.
[...]

Assim, os alunos conseguiram estabelecer uma relação de proporção entre o tamanho do pé e a quantidade de semente que caberiam dentro da figura, ou seja conseguiram fazer uma modelo matemático válido utilizando material já conhecido por eles para fazer uma medição. Essa experiência foi possível, pois, para saber o número do calçado, bastava dividir o tamanho do pé em centímetros por 0,666, que corresponde ao tamanho do grão de arroz e equivalente a 2/3 de um centímetro.

Considerações finais
Neste trabalho utilizamos uma dúvida gerada pelos alunos durante uma aula de Arte, e a transformamos em uma situação-problema para que os alunos, por meio da matemática, produzissem modelos matemáticos para interpretar e compreender a situação.
Na atividade os alunos usaram o desenho para representar um modelo matemático para a situação, juntamente com a produção escrita e oral coletadas durante as discussões sobre o tema.
Algumas hipóteses foram testadas e levaram os alunos à conclusão de que é possível descobrir a numeração brasileira do calçado sem precisar prová-lo, como questionava a pergunta inicial proposta pelos alunos. Para isso, eles utilizaram grãos de arroz enfileirados, desde o calcanhar até a ponto do dedo de maior comprimento do pé, e, assim, descobriram o número apropriado para cada tamanho de pé. Por meio desta estratégia, utilizada pelos alunos, a professora pode abordar o cálculo de proporcionalidade, relacionando a medida do pé com a medida dos grãos de arroz.
Com essa atividade, esperamos contribuir com as práticas de sala de aula, apresentando uma possibilidade de se trabalhar matemática por meio da modelagem.

Referências

ALMEIDA, L. W.; SILVA, K. P.; VERTUAN, R. E. Modelagem matemática na educação básica. São Paulo: Contexto, 2012.

ALMEIDA, L. M. W.; VERTUAN, R. E. Discussões sobre “como fazer” modelagem na sala de aula. In: ALMEIDA, L. M. W.; ARAÚJO, J. L.; BISOGNIN, E. Práticas de modelagem matemática na educação matemática. Londrina: Eduel, 2011. p. 19-44.

ALMEIDA, L. M. W.; VERTUAN, R. E. Modelagem Matemática na Educação Matemática. In: ALMEIDA, L. M. W.; SILVA, K. A. P. Modelagem Matemática em Foco. Rio de Janeiro: Ciência Moderna, 2014. p. 1-22.

ARANHA, C. Encontro com Tarsila. Belo Horizonte: Formato editorial, 2002. (Coleção encontro com a arte brasileira).

BRASIL. Secretária de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: matemática. Brasília: MEC/SEF, 1997. 142p.

GODOY, A. S. Introdução à pesquisa qualitativa e suas possibilidades. Revista Administração de Empresas, São Paulo, v. 35, n. 2, p 57-63, mar/abr. 1995.

LAUTENSCHLAGER, E.; ALENCAR, E. S. Formulação de problemas e Modelagem Matemática. In: ALENCAR, E. S.; LAUTENSCHLAGER, E. Modelagem matemática nos anos iniciais. São Paulo: Editora Sucesso, 2014. p. 79-92.

LIPPMANN, L. Matemática para educação infantil. Curitiba: IESDE Brasil, 2009.

LORENZATO, S. Para aprender matemática. (Coleção formação de professores). 2 ed. rev. Campinas: Autores Associados, 2008.

MENDES, I. A. Matemática e investigação em sala de aula: tecendo redes cognitivas no aprendizado. Ed. rev. e aum. São Paulo: Editora Livraria da Física, 2009.

MEYER, J. F. C. A.; CALDEIRA, A. D.; MALHEIROS, A. P. S. Modelagem em educação matemática. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2011. (Coleção Tendências em Educação Matemática).

ROSA, M.; OREY D. C. A Modelagem como um ambiente de aprendizagem para a conversão do conhecimento matemático. Bolema. Rio Claro, v. 26, n. 42. p. 261-290, abr. 2012. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/bolema/v26n42a/12.pdf>. Acesso em: 03 set. 2014.

TORTOLA, E.; ALMEIDA, L. M. W. Reflexões a respeito do uso da modelagem matemática em aulas nos anos iniciais do ensino fundamental. In: Revista brasileira de estudos pedagógicos. Brasília, v. 94, n. 237, p. 619-642, mai/ago. 2013.


TORTOLA, E. ALMEIDA, L. M. W. A modelagem matemática nos anos iniciais: um olhar sobre a linguagem. In: ALENCAR, E. S.; LAUTENSCHLAGER, E. Modelagem matemática nos anos iniciais. São Paulo: Editora Sucesso, 2014. p.63-78.